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Dossiê

v. 15 n. 1 (2026): Janeiro-Dezembro

Currículo em disputa: a presença indígena nos discursos educacionais no estado de Goiás

DOI
https://doi.org/10.20949/rhhj.v15/1340
Enviado
maio 25, 2025
Publicado
2026-11-04

Resumo

A presença dos povos indígenas no currículo escolar brasileiro foi juridicamente assegurada a partir da Constituição Federal de 1988 e, sobretudo, da Lei n. 11.645/08, que tornou obrigatório o ensino de História e Cultura Indígena na educação básica. Este artigo analisa como a temática indígena é representada na Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e no Documento Curricular do Estado de Goiás (DC-GO), compreendendo esses textos normativos como espaços de disputa em torno das narrativas históricas e dos critérios de legitimidade do conhecimento escolar. A pesquisa, de abordagem qualitativa, fundamenta-se na perspectiva da História Cultural, especialmente nas contribuições de Roger Chartier (1990) sobre representação, articuladas aos estudos pós-coloniais. Por meio de análise documental interpretativa, identificam-se avanços normativos na inclusão da temática indígena, mas também a recorrência de formas reguladas e temporalizadas de inserção, que concentram essas populações no período colonial e limitam a problematização de sua contemporaneidade. Conclui-se que o currículo goiano expressa um movimento ambivalente, no qual reconhecimento formal e silenciamentos parciais coexistem, revelando as tensões que atravessam o campo curricular na implementação da Lei n. 11.645/08.

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