Este artigo apresenta práticas de ensino realizadas no 7º ano de uma escola particu
lar paulistana (2019-2024) que, ancoradas na interculturalidade crítica, confrontaram narrativas hegemônicas sobre colonização e escravidão. O percurso parte de ações que tensionam o livro didático em dois eixos. No léxico-textual, a substituição de termos expôs o senso comum racializado e eviden ciou a escravidão como base do mercanti lismo. No imagético, a instalação Primeira Missa (2019), de Denilson Baniwa, e as colagens da série Atualizações traumáticas de Debret (2020-2021), de Gê Viana, reposicionaram cenas fundadoras sob perspectivas insurgentes. As intervenções despertaram uma percepção crítica inédita nos estudantes frente às imagens do livro didático. Ao subverter o discurso normativo do livro didático, essas práticas abriram espaço para processos de leitura crítica e decoloni zação do saber histórico.