Editorial

Cristiani Bereta da Silva

Resumo


A Revista História Hoje apresenta seu primeiro número de 2016. Ele chega em boa hora, como contribuição e posicionamento político em favor de um ensino de História que seja capaz de dotar de inteligibilidade as experiências sociais como dinâmicas e múltiplas, sujeitas a relações de poder (e, portanto, a desigualdades), além de ser também um campo de negociações, mudanças, empatias e superações. O Dossiê Ensino de História e Consciência Histórica, organizado pelos professores Dr. Luís Alberto Marques Alves (Universidade do Porto, Portugal), Dr. Marcelo Rangel (Universidade Federal de Ouro Preto) e Dra. Tatyana Maia (Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul), traz artigos que apresentam reflexões instigantes sobre a função da História na vida cotidiana. Além do dossiê, a Revista traz também uma Seção Temática Especialsobre o ensino e a aprendizagem das Ciências Sociais e da História, levados a cabo por meio de diferentes tecnologias disponíveis na escola, na perspectiva de colegas argentinos que trabalham com o tema. A seção reúne seis artigos que desdobram um único projeto de investigação, coordenado pela Professora Dra. Graciela Funes, ocorrido no âmbito da Universidade Nacional de Comahue, Argentina, durante os anos de 2013 a 2016. 

Mesmo que por meio de diferentes abordagens pode-se afirmar que os artigos publicados nessa Revista, ao longo de sua existência, compartilham desse pressuposto enfatizado por Jörn Rüsen. Por isso é tão assombroso imaginar que possa haver espaço, no presente, para os projetos impulsionados pelo movimento “Escola sem Partido”.  Fundado pelo advogado e procurador do Estado de São Paulo, Miguel Nagib, o movimento se diz “preocupado com o grau de contaminação político-ideológica das escolas brasileiras, em todos os níveis: do ensino básico ao superior”. Convertendo toda e qualquer discussão sobre diversidade sexual e de gênero, desigualdades sociais e outras formas de relações de poder, em “doutrinação” e “ideologia” o movimento prega uma pretensa neutralidade no ensino e incita os pais a “defenderem seus filhos” levando professores e escolas ao tribunal.

O movimento vem crescendo e já há uma quantidade preocupante de projetos de deputados (federais e estaduais) e vereadores embasados nas premissas que sustentam a “Escola Sem Partido”. Do mesmo modo, os debates sobre a Base Nacional Comum Curricular têm tomado dimensões assustadoras quando pautados por setores que defendem os objetivos da “Escola Sem Partido”.

Preocupados com os efeitos catastróficos da aprovação desses projetos para o futuro do ensino de História no Brasil, em diferentes níveis, bem como intervenções na BNCC, a Revista História Hoje manifesta seu repúdio a esse movimento que tão somente pretende inibir a pluralidade, o pensamento crítico e o debate irrenunciáveis na proposta de ensino de História que acreditamos e defendemos.

 

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DOI: https://doi.org/10.20949/rhhj.v5i9.284

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