Rasuras da História: samba, trabalho e Estado Novo no ensino de História

Adalberto Paranhos

Resumo


Quando o assunto é o Estado Novo e envolve o mundo do trabalho, a tradição historiográfica se pauta, em geral, pelo que Mikhail Bakhtin denominou “hábitos monológicos”. Tudo parece se passar como se fosse possível apagar os sinais que nos levariam a captar vozes destoantes do grande coro da suposta unanimidade nacional orquestrada pelo regime. Perde-se de vista que, mesmo sob uma férrea ditadura, os domínios da vida político-social sempre operam como campos de forças, segundo Pierre Bourdieu e E. P. Thompson. Sob tal ótica, este artigo se propõe a contribuir para renovar o olhar e adensar o conhecimento em torno do Estado Novo, tomando como mote vozes dissonantes que se fizeram ouvir sobre o universo do trabalho na área da música popular, especialmente do samba. Pretende-se, assim, estimular a complexificação daquilo que habitualmente é ensinado nas escolas.

Palavras-chave: música popular; mundo do trabalho; Estado Novo.


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Referências


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Fez bobagem (Assis Valente), Aracy de Almeida. 78 rpm, RCA Victor, 1942.

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Juracy (Antonio Almeida e Ciro de Souza), Vassourinha. 78 rpm, Columbia, 1941.

Levanta, José (Dunga e Haroldo Lobo), Emilinha Borba. 78 rpm, Odeon, 1941.

Louca pela boemia (Bide e Marçal), Gilberto Alves. 78 rpm, Odeon, 1941.

Me dá, me dá (Portelo Juno e Cícero Nunes), Carmen Miranda. 78 rpm, Odeon, 1937.

Não admito (Ciro de Souza e Augusto Garcez), Aurora Miranda. 78 rpm, RCA Victor, 1940.

Meu Brasil (Pedro de Sá Pereira e Olegário Mariano), Vicente Celestino. 78 rpm, Columbia 1932.

Não faltava mais nada (Fernando Lobo), Gilberto Alves. 78 rpm, Odeon, 1941.

Não quero conselho (Príncipe Pretinho e Constantino Silva), Carmen Costa e Henricão. 78 rpm, Columbia, 1940.

Não quero opinião de mulher (Newton Teixeira e Ataulfo Alves), Newton Teixeira. 78 rpm, Odeon, 1942.

Ó, Valdemar (Ari Monteiro e J. Assunção), Linda Batista. 78 rpm, RCA Victor, 1943.

O amor regenera o malandro (Sebastião Figueiredo), Joel e Gaúcho. 78 rpm, Columbia, 1940.

Oh! Seu Oscar (Wilson Batista e Ataulfo Alves), Ciro Monteiro. 78 rpm, RCA Victor, 1939.

Olha o jeito desse nego (Custódio Mesquita e Evaldo Ruy), Linda Batista. 78 rpm, RCA Victor, 1944.

Onde o céu azul é mais azul (João de Barro, Alberto Ribeiro e Alcir Pires Vermelho), Francisco Alves. 78 rpm, Columbia, 190.

Quem gostar de mim (Dunga), Ciro Monteiro. 78 rpm, RCA Victor, 1940.

Saia de mim (Titãs), Titãs. CD Tudo ao mesmo tempo agora. WEA, 1991.

Samba lelê, samba lalá (Dunga e Nássara), Ciro Monteiro. 78 rpm, RCA Victor, 1944.

Sambei 24 horas (Wilson Batista e Haroldo Lobo), Aracy de Almeida. 78 rpm, Odeon, 1944.

Se eu tivesse um milhão (Roberto Martins e Roberto Roberti), Dircinha Batista. 78 rpm, Odeon, 1940.

Segure no meu braço (Capiba), Nelson Gonçalves. 78 rpm, RCA Victor, 1945.

Será possível? (Rubens Campos e Henricão), Ciro Monteiro. 78 rpm, RCA Victor, 1941.

Tenha pena de mim (Babaú e Ciro de Souza), Aracy de Almeida. 78 rpm, RCA Victor, 1937.

Terra virgem (Vicente Celestino e Mário Rossi), Vicente Celestino. 78 rpm, RCA Victor, 1942.

Tudo é Brasil (Vicente Paiva e Sá Roris), Linda Batista. 78 rpm, Victor, 1941.

Vamos cair no frevo (Marambá), Carlos Galhardo. 78 rpm, RCA Victor, 1943.

Vitaminas (Amaro Silva, Djalma Mafra e Domício Augusto), Odete Amaral. 78 rpm, Odeon, 1942.

Você não tem palavra (Newton Teixeira e Ataulfo Alves), Newton Teixeira. 78 rpm, Odeon, 1940.

Artigo recebido em 5 de dezembro de 2016. Aprovado em 18 de janeiro de 2017.




DOI: https://doi.org/10.20949/rhhj.v6i11.338

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