A escrita didática da História na década de 1980: um ponto de reflexão para as intensas disputas públicas pelos sentidos da História ensinada no Brasil contemporâneo

Jean Carlos Moreno

Resumo


Filho dileto da modernidade europeia do século XIX, o ensino escolar de História veio se debatendo, ao menos nos últimos cem anos, com as promessas não cumpridas pelos discursos iluministas, buscando a inclusão, no campo das representações, de outras vozes e histórias dissonantes. O presente texto apresenta os desdobramentos de pesquisa de maior porte sobre os livros didáticos de história brasileiros e sua relação com o discurso identitário nacional, tomando a década de 1980 como ponto fundamental de inflexão (sem desconsiderar iniciativas anteriores importantes).[i] Como exemplo, o livro Brasil Vivo, volume 1, é analisado em suas relações sincrônicas e diacrônicas com as demais produções didáticas da disciplina de História. Procura-se, ao final, partindo das análises realizadas, refletir sobre a intensa disputa pública pelos sentidos da História ensinada no Brasil contemporâneo.

 Palavras-chave: ensino de História; livros didáticos; identidade nacional.


[i] Uma parte modificada deste texto foi publicada nos anais do XV Encontro Regional de História (2016) com o título “Senhores e escravos. Ricos e pobres. Mandões e mandados. Brasil Vivo: um marco na produção didática de História da década de 1980”.


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Artigo recebido em 13 de janeiro de 2017. Aprovado em 20 de fevereiro de 2017.




DOI: https://doi.org/10.20949/rhhj.v6i11.343

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