Gênero e reconhecimento no funk carioca: perspectivas para o ensino na educação básica

Carlos Eduardo Dias Souza, Gladysmeire Guimarães Silva

Resumo


O uso de personagens históricas negras por vezes nos coloca uma questão: por faltarem registros mais precisos sobre as trajetórias dessas mulheres, abre-se espaço para que se inscrevam em sua biografia aspectos que acabam por fazer de sua representação um “lugar de memória”. Com base na música Não foi Cabral, de MC Carol de Niterói, o artigo aborda a relação entre história, biografia e memória para, em seguida, argumentar que o uso de personagens como Dandara dos Palmares facilita o reconhecimento de outras mulheres negras como agentes de sua própria história. Por fim, espera-se apontar caminhos para que tal reconhecimento atue como ferramenta pedagógica.

 Palavras-chave: memória; educação étnico-racial; ensino de história.


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Artigo recebido em 1º de fevereiro de 2017. Aprovado em 13 de março de 2017.




DOI: https://doi.org/10.20949/rhhj.v6i11.347

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