Batalhas públicas pela história nas redes sociais: articulações para uma educação histórica em direitos humanos

João Carlos Escosteguy Filho

Resumo


O artigo objetiva analisar visões sobre o passado em páginas autointituladas conservadoras, ou “de direita”, na rede social Facebook. Pressupomos que, nos últimos anos, foi construída uma relação direta entre crescimento das redes sociais e ascensão de certa visão de mundo “de direita” sobre o passado que embasa projetos de sociedade no Brasil. Com base nas propostas da história pública e da educação em direitos humanos, e focando na análise de postagens das páginas virtuais sobre um “tema sensível” específico, a dupla escravidão-racismo, pretendemos analisar de que maneira certa concepção de mundo conservadora se coaduna com uma perspectiva de passado que, dissolvendo o peso do ontem sobre o agora, acaba também anulando a densidade histórica necessária a uma atitude historiadora comprometida com qualquer projeto emancipatório de sociedade.


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DOI: https://doi.org/10.20949/rhhj.v8i15.531

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