Os entrelaçamentos escola, universidade, cursos de História e públicos: o curso de História da UFPR no seu apogeu como contraexemplo de História Pública

Bruno Flávio Lontra Fagundes

Resumo


O presente artigo trata do entrelaçamento entre características da formação universitária em História, seu ensino escolar e os campos da história do curso de história e da História Pública, incentivando a análise da articulação entre História Pública e a história do curso da história da Universidade Federal do Paraná. O curso de História da UFPR foi curso consagrado pelo incentivo estrito à pesquisa acadêmica no momento desde o advento da pós-graduação no país em 1971. À luz da história pública e de suas motivações atuais, o artigo argumenta em torno do desenho programático do curso de História da UFPR, avaliando sua ênfase desproporcional à pesquisa em detrimento do ensino de História, deixando um legado de afastamento escola e universidade, para cuja análise uma visão do conhecimento histórico visto em relação com outros públicos aponta para o curso de História da UFPR como um contraexemplo de história pública.


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Referências


“(....) Carecemos, apenas, de uma internacionalização estratégica que permita à produção intelectual brasileira ocupar um lugar de relevância no circuito de distribuição internacional do conhecimento” (SANTHIAGO, 2016, p.31)

. “No seu sentido mais simples, História Pública se refere ao emprego de historiadores e ao método histórico fora da academia”. (KELLEY, 1978, p.111)

“suas próprias restrições formais e institucionais” (SARLO, 2007, p.15).

. “São versões que se sustentam na esfera pública porque parecem responder plenamente às perguntas sobre o passado. Garantem um sentido, e por isso podem oferecer consolo ou sustentar a ação” (SARLO, 2007, p.15).

“produção de efeito de presença do passado” (ROCHA, 2014, p.44).

“(...) os professores universitários participam, porém, de uma cultura acadêmica em que os modos de consagração são, todos eles, referentes ao campo científico-acadêmico” (FILHO, 2014, p.92).

“(...) via de regra mestres improvisados e sem preparação específica”, (...) “a passeio” com “Livro Tombo de importante Matriz, debaixo do braço, a título de estar realizando pesquisas históricas com seus alunos” (Westphalen & Balhana, 1969, p. 6).

Albieri (2011, p. 28) advoga que não devemos “abolir a ciência em favor da História Pública, mas não menos considerar a História Pública uma espécie de deformação que a ciência históri-ca deveria ignorar”.

REFERÊNCIAS

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DOI: https://doi.org/10.20949/rhhj.v10i20.724

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