Este trabalho analisa a experiência do Taller de Historia Oral Andina (THOA) na década de 1980 na Bolívia, destacando seu papel na construção de um ensino de história intercultural crítico. O THOA, criado em 1983 e dirigido em seus primeiros anos pela socióloga Silvia Rivera Cusicanqui, utilizou pesquisas em arquivos e a metodologia da história oral para resgatar memórias indígenas silenciadas, especialmente relacionadas aos caciques apoderados, como Santos Marka T’ula. O projeto questio nou narrativas oficiais que marginalizavam as lutas indígenas, promovendo uma releitura da história a partir de perspectivas subalternas. Além disso, o THOA desenvolveu ações como radionovelas, exposições e festividades para devolver os resultados da pesquisa às comunidades, fortalecendo identidades e mobilizações políticas. A experiência do THOA é entendida como uma prática de interculturalidade crítica, con forme discutido por Catherine Walsh, ao confrontar estruturas coloniais e racializa das e valorizar epistemologias indígenas.